Beauty Tunes♥Samuel Uria + Manuel Cruz

Lenço Enxuto // Samuel Uria + Manuel Cruz

O que acontece quando dois cantautores bons (muito bons) se juntam? Magia! A mim, esta música embala-me e arrepia-me…

Hoje, foi dia de GIRLS LEAN IN e esta música encaixa-se na perfeição na eterna discussão do que é isto de ser  mulher ou ser homem. Somos pessoas, podes ser?

Empresta-me os teus olhos uma vez
Que os meus não são de gente, apenas a paz
É só o tempo de me aperceber
Na vida, o que se turva para ser de mulher
Empresta-me uma chávena de sal
E mostra-me a receita do caldo lacrimal
É só o tempo de te convencer
Que nem precipitado consigo chover
Não é um adágio que nos persegue
Que um homem só não chora porque não consegue
Empresta-me esse efeminado luto
Ser masculino é ter-se o lenço enxuto
É só o tempo de me maquilhar
De pranto transparente, a cor de mulher
Não nasci pedra, nasci rapaz
Que um homem só não chora por não ser capaz
Os homens fazem fogo
Com dois paus, eles fazem fogo
Por troca, ensino-te a queimar
Tu és corrente, e eu finjo o mar
Que um homem para que chore, não pode chorar
Que um homem para que chore, não pode chorar
bd7

Atitude♥Robots de última geração

(a música que inspirou esta reflexão)

Robots de última geração

Somos robots. Adormecidos pelo excesso de informação. Atordoados por milhares de estímulos sociais e sensoriais. Temos todas as opções em aberto, temos o mundo na ponta dos nossos dedos, temos uma voz e queremos ser ouvidos. Em «O Essencialismo» (o livro que estou a estudar desde o início do ano), Greg McKeown fala de «fadiga de decisão». Acho realmente que esta é uma das epidemias desta era. Parece que podemos escolher tudo, mas são tantas escolhas que não conseguimos tomar decisões. A todo o instante, abrem-se novos caminhos. Jorge Régio escrevia «Só sei que não vou por aí…» E nós? Conseguimos suportar o peso de rejeitar um caminho óbvio, fácil, aberto? Mais, conseguimos rejeitar uma oferta quando nem sequer implica (aparentemente) abdicar de nada? Porque não? Porque não podemos ter/fazer/ser tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo? Afinal, essa é uma das virtudes da era do imediatismo.

Estás sempre ON? Ou estarás OFF?

Neste emaranhado de decisões diárias, «eu sei que vou por aqui, eu quero ir por aqui, mas e se, e se, e se…». Nada me parece impossível. Sempre fiz as minhas escolhas em prol de uma liberdade imaginária, comprometendo-me  apenas com a minha consciência. Fechei portas, abri janelas, deixei portas encostadas, cruzei jardins e parques lamacentos. Quando há muito ruído, perco o norte. Paro. Respiro-me. Inspiro. Expiro. Desligo o botão e não tomo nenhuma decisão. Limito-me a existir.

Descobri, recentemente, que o exercício que tento fazer há algum tempo tem um nome. Chama-se Mindfulness. Um estado de alerta total. Porque estar sempre ON, significa estar, na maioria dos casos, OFF. Ligados a tudo e a todos, o tempo todo por todos os meios. Completamente desligados de nós.  Por isso, agora dou-me ao luxo de existir apenas entre inspirações e expirações todos os dias ao acordar e ao deitar e as vezes que sentir necessárias. Sem botões, nem alarmes, nem decisões!

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